Ex-detentos enfrentam resistência para trabalhar

Ex-detentos ainda enfrentam dificuldades ao tentar um espaço no mercado de trabalho local. A afirmação é da assistente social do Centro de Regime Semiaberto de Ponta Grossa (Crapg), Regina Lima Frank. A esperança termina quando é solicitado pelas empresas o atestado de antecedentes criminais. Apesar do preconceito, presos participam de cursos de qualificação dentro da prisão.

A assistente social e chefe da Divisão Assistencial (DIAS), do Centro de Regime Semiaberto de Ponta Grossa (Crapg), Regina Lima Frank, afirma que o empresariado local ainda tem muita resistência em oportunizar uma ‘segunda chance’ ao egresso do sistema penal. “Entendemos esta conduta até certo ponto, por ser uma questão cultural ainda a ser desmitificada, pois não podemos desconsiderar que estes indivíduos, após cumprirem com suas penas legalmente imputadas,retornarão ao convívio com a sociedade”, diz.

A Crapg mantém um vínculo com a Agência do Trabalhador de Ponta Grossa. Nos encaminhamentos feitos à agência consta alguns cursos profissionalizantes que o ex-detento realizou enquanto esteve preso. “É importante constar todos os cursos de qualificação que o ex-detento realizou durante o período em que esteve preso para tentar encaixá-lo o mais breve possível no mercado de trabalho”, conta.

As ações da Crapg, segundo Regina, são visando a inserção gradativa ao mercado formal de emprego, oferecendo cursos de aprendizagem e aperfeiçoamento, segundo diretrizes da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SEJU) através do Programa para Desenvolvimento Integrado e Coordenação de Educação e Qualificação Profissional, realizados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Entre os cursos realizados em 2012 estão de Eletricista Predial, Auxiliar Automotivo, Marcenaria, auxiliar de mecânica industrial, além de cursos de aperfeiçoamento profissional, como culinária básica, panificação, inclusão digital, manutenção de tratores, manutenção e operador de roçadeira e jardinagem. “Todos os presos do Crapg participam da escolarização formal, sendo alunos do CEEBJA Odair Pasqualini, que oferece Educação Básica na modalidade Educação para Jovens e Adultos”, emenda.“Durante o período de reclusão tem que oferecer o mínimo de expectativa de vida, já que a maioria dos condenados tem entre 18 a 35 anos, pouca ou nenhuma escolaridade e nasceu e cresceu no meio da pobreza”, diz.

A Crapg e a Agência do Trabalhador, por exemplo, não realizam um acompanhamento efetivo dos ex-detentos que retornaram ao mercado de trabalho, seja ele formal ou informal. Para tal suporte, o Município deveria contar com o Patronato Penitenciário, que hoje existe apenas em Curitiba e Londrina, que tem por finalidade atender egressos beneficiados com a progressão para o regime aberto, liberdade condicional, sentenciados com trabalhos externos, liberdade vigiada, prestação de serviços à comunidade e os com suspensão condicional da pena, por determinação da Vara de Execuções Penais, dos Juízes das Varas Criminais e Justiça Federal, com penas restritivas de direito. “Para a cidade de Ponta Grossa, a instalação do Patronato Penitenciário, está prevista nas ações do Plano Diretor do Sistema Penal – SEJU”, finaliza Regina.

Atestado de antecedentes ‘trava’ inclusão

O ex-detento entrevistado pelo DC, cujo nome será mantido em sigilo, cumpriu 12 anos de pena e está em liberdade há aproximadamente três anos. Enquanto esteve preso, ele se qualificou, fez curso de pintura, restauração de móveis, artefatos e madeira, como também quase concluiu os estudos dentro da penitenciária. “Infelizmente, depois que a gente sai da prisão, ninguém dá oportunidade para mudar”, diz. Segundo ele, em todas as oportunidades que buscou emprego escutou não como resposta, já que todas as empresas pediam o atestado de antecedentes criminais. “Só consegui entrar no mercado de trabalho porque fui indicado por um parente e a empresa não pediu meus antecedentes criminais, caso contrário, acredito que estaria sem emprego até agora”, diz o homem que sustenta a mulher e três filhos. “Queria outra vida, mas não é fácil, ninguém tem a confiança de dar emprego para alguém que já roubou, como foi o meu caso. Os empresários têm medo que a pessoa roube ou mate dentro da empresa”, lamenta. Aos 33 anos de idade, o homem conta, realizado, que acorda às 7h30 para trabalhar e retorna para casa às 19 horas. “Oportunidade para voltar ao mundo do crime tem de monte, mas tem que levar em conta o que você estipulou como meta para sua vida. Eu, graças a Deus, optei por mudar e estou há mais de dois anos na mesma empresa como operador de máquinas”, comemora. O mesmo destino, segundo ele, não tiveram alguns conhecidos, que ainda sofrem preconceito do empresariado.

Pró-egresso está desativado em PG

Em Ponta Grossa, o programa Pró-egresso, que contava com uma equipe multidisciplinar e era encarregada de prestar ao egresso toda a assistência necessária à sua reintegração na sociedade, está temporariamente desativo, já que o contrato com o governo do Estado não foi renovado. Entre as assistentes prestadas estão nas áreas de Direito, Serviço Social, Psicologia, integração ao mercado de trabalho e capacitação profissional, entre outros.

Fonte: Diário dos Campos/Patrícia Biazetto
Foto: Fábio Matavelli

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