Participação de mulheres em crimes cresce 33%

O envolvimento de mulheres em crimes teve aumento de 33% no ano passado na comparação com o ano anterior, conforme informações repassadas pela direção da Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. No ano passado deram entrada no ‘Cadeião’ 141 mulheres, contra 106 no ano anterior. A maioria delas – mais de 60% - foi detida pela participação no tráfico de drogas.

Segundo o diretor do Cadeião, Bruno Propst, a participação feminina se destaca na venda de drogas, nas chamadas ‘bocas de fumo’. “O marido coordena as ações com o apoio da companheira e dos filhos, que já crescem no contato direto com este mundo. No primeiro momento, a mulher apenas dá o suporte na confecção da droga, mas quando esse homem é preso pela polícia, ela assume o papel principal do ponto de distribuição”, detalha.

Em outras situações, no entanto, a mulher é detida ao tentar adentrar no presídio com drogas. É o caso de Aline Dorosinski, 21 anos, que está presa há quatro meses. Ela conversou com o DC e revelou o que a levou à prisão. “Fui coagida por um homem que parou com uma moto em frente da minha casa e mandou eu trazer droga para a cadeia, caso contrário minha filha corria risco de vida”, revela a jovem, que é mãe de uma criança de dois anos e 11 meses. Ela conta que se rendeu e atendeu ao pedido do motoqueiro durante visita que fez a marido que está detido por latrocínio. “Num primeiro momento, fiquei com muito medo, cheguei a tirar a droga antes de chegar aqui para a visita, mas depois resolvi entrar com ela, foi aí que eu caí”, diz.

Apesar de algumas detentas alegarem que foram vítimas de coação, há aquelas que entraram no mundo do crime por conta. Janete Maria Fogaça Ramos, 29, é uma delas. Ela foi detida no dia 4 de julho de 2012 pelo envolvimento no tráfico de drogas – atividade que começara a praticar havia sete meses. “Comecei a traficar porque eu quis e ninguém me impôs nada”, afirma a mulher, que era moradora da Vila Dalabona. Apesar da vida estável, já que seu marido trabalhava como mestre de obras, Janete conta que buscou alternativas para quitar dívidas contraídas por ela mesma. “Peguei um pouco (de droga) para vender e vi que dava dinheiro. Comecei a pegar mais e a ter mais lucro e assim foi indo. Consegui quitar minhas dívidas”, comenta.

Apesar do ganho fácil, Janete diz que sabia que poderia ser surpreendida pela polícia a qualquer momento. “O negócio sobe na cabeça, dá dinheiro rápido, mas hoje eu vejo que não compensa”, diz a mulher, que está separada dos dois filhos – um de dez anos e outro de cinco anos.”Penso sempre nos meus filhos, da vida normal que a gente tinha”, lamenta. Ela não sabe ainda quantos anos ficará presa, mas pelas informações que obteve com seu advogado estima que seja de nove a 14 anos.

Alegação de inocência

Além daquelas de assumem a culpa, há ainda casos de mulheres que se dizem inocentes. Jandira Martins, uma senhora de aproximadamente 55 anos, que está presa há três meses, é uma delas. “Fui presa acusada de tráfico de drogas, mas eu sou inocente”, alega a mulher, que diz ser aposentada e pensionista do INSS. “Comecei a trabalhar aos oito anos de idade na lavoura com o meu pai e depois de grande trabalhei durante anos como zeladora. Ajudei a criar sete irmãos e no final da vida sou acusada de tráfico. A droga encontrada na minha casa, no momento que eu cuidava do meu netinho, não era minha. Sempre tive raiva de quem usava ou traficava”, afirma Jandira.

Idade média das detentas é 27 anos

Hoje, 64 mulheres estão detidas na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, sendo que a capacidade é para 36 nesta ala. A faixa etária média é de 27 anos de idade, conforme dados repassados pelo diretor Bruno Propst. A maioria está detida pelo tráfico de drogas e 25% (16 mulheres) delas já tinham passagem pela polícia. Com relação ao estado civil, 21% são solteiras, 56% têm união estável e 7% são viúvas. Apenas 10% são casadas e 3% divorciadas.

Grávidas poderão fazer o pré-natal

O diretor da Cadeia Pública Hildebrando de Souza revelou ao DC que pretende firmar uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para que as mulheres detentas que estão grávidas possam fazer o pré-natal. Esse serviço ainda não é oferecido às mulheres detidas que precisam ser transferidas para a capital do Estado após o parto, já que a cidade não oferece espaços propícios. 

Perfil

Faixa etária
27 anos de idade

Estado civil
21% solteiras
56% união estável
7% viúvas
10% casadas
3% divorciadas

Passagens
25% são reincidentes

Crimes
Mais de 60% tráfico


Fonte: Diário dos Campos

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